A leitura e a escrita no JI

À medida que a escolaridade obrigatória se aproxima, crescem as pressões sobre os educadores para ensinarem as “letras” e os “números”.

As Orientações Curriculares para a Educação pré-escolar (O.C.) são claras quanto a esta questão: “… pretende-se acentuar a importância de tirar partido do que a criança já sabe, permitindo-lhe contactar com as diferentes funções do código escrito. Não se trata de uma introdução formal e “clássica” à leitura e à escrita, mas de facilitar a emergência da linguagem escrita.” (p. 65)

Então se não aprendem as letras e os números o que é que afinal estão lá a fazer?

A brincar! Quando brincam com os livros, com as rimas, canções, recortes de revistas, pinturas (…) quando a aprendizagem se baseia na exploração lúdica da linguagem, as crianças apercebem-se do prazer em lidar com as palavras, em inventar sons em descobrir relações e este prazer mantém-se para o resto da vida!

Ontem, por exemplo ouvi o T. a dizer que coração tinha a ver com leão – e estava cheio de razão, então digam lá se coração não rima com leão? e no outro dia o R. descobriu que pudim começava pelo som pu. Não é esta consciência fonológica que depois lhe permitirá adquirir e dominar a linguagem escrita?

Os que as crianças fazem é descobrir o funcionamento da língua (escrita e falada). A função do educador, mais do que dar letras aleatoriamente, é proporcionar oportunidades vida em grupo, encontros com diferentes formas de comunicar (histórias, debates, conversas informais, narrar, distribuir tarefa, dramatizações…) alargando assim, intencionalmente as situações de comunicação em diferentes contextos e com diferentes interlocutores. A sua atitude e o ambiente que cria ao redor da criança, com inúmeros estímulos visuais e estéticos, são facilitadores da familiarização com o código escrito que aos poucos vai emergindo.

O principal “contacto com a escrita tem como instrumento fundamental o livro” (O.C., p.70). Na acção de formação que frequentei na passada sexta-feira, o professor Rui Marques Veloso referia que mais do que um choque tecnológico, este país precisava de um choque estético. Concordo! há lá coisa mais bonita do que a beleza! há lá coisa mais bonita que um bom livro… “aquele que apresenta uma qualidade estética marcante, com um discurso depurado, pleno de virtualidades em termos de imaginário e de pontes para a compreensão do mundo” (Rui Veloso)

E porque “ninguém nasce leitor” (Rui Veloso) o educador lê, proporciona momentos de contacto com os livros, com diversos tipos de texto escrito (jornais, revistas) e permite que as crianças “leiam”, interpretem e compreendam o que as rodeia. E o educador promove projectos que envolvam livros e leituras.

As crianças são assim preparadas para adquirem as competências básicas para que quando cheguem à escola do Primeiro Ciclo (Primária) a emergência da escrita e da leitura flua de forma natural. Ninguém constrói uma casa a partir do tecto e raras são as casas que se mantêm de pé com alicerces pouco robustos, então porquê começar a dar as letras e os números antes das crianças estarem preparadas para as aprenderem?

http://www.historiadodia.pt/pt/index.aspx

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